Pesquisa da Abed revela panorama das atividades remotas de 2020

Estudo contou com a participação de mais de 5 mil estudantes, professores, pais e/ou responsáveis e dirigentes de instituições de ensino públicas e privadas do país A Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) realizou uma pesquisa inédita e completa sobre as atividades remotas na Educação Básica em 2020. O estudo conta com uma amostra de 5.580 participantes -- entre estudantes, professores, pais e/ou responsáveis e dirigentes de instituições de ensino públicas e privadas do país. O período de apuração do levantamento foi entre 24 de agosto e 15 de setembro. Os dados revelam alguns dos impactos da pandemia na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio. Algumas das comprovações da pesquisa são: abandono escolar migração de estudantes de escolas privadas para escolas públicas abalo emocional de professores, familiares e estudantes prejuízo às aprendizagens De acordo com o diretor da Abed George Bento Catunda -- que foi também o responsável pela coordenação da pesquisa --, é importante destacar que o levantamento trouxe novos dados, e mais completos até o momento, sobre um cenário que muito se especulava, mas que não se dispunha informações tão abrangentes, até então. “Um dado interessante se refere à adoção de tecnologias educacionais utilizadas no ensino remoto, como réplica de práticas e rotinas da sala de aula e escolas se mostrou eficaz por muito pouco tempo. Porém, podemos dizer que o grande desafio no momento é o engajamento”, disse George Catunda. Um dos pontos de destaque do estudo mostra que 68,11% dos alunos só querem retomar às aulas presenciais quando tiver vacina disponível. Ainda do ponto de vista dos estudantes, quando perguntados sobre quais situações afetam seus estudos e aprendizagem durante a pandemia, 67,07% atribuem à dificuldade em estabelecer e organizar a rotina diária, seguido de 58,32% que acreditam que as escolas mandam muitos materiais e por isso não dão conta. Quando se trata do acesso à internet, 63,53% responderam ter banda larga ilimitada e 25,80% utilizam de terceiros. Já em relação aos dispositivos eletrônicos, em sua quase unanimidade (91,95%), dizem possuir smartphone. No que se refere às atividades remotas, 60,50% afirmaram ter participado de quase todas as atividades do gênero em sua escola. Porém, 72,61% consideraram que piorou, se comparada às aulas presenciais. ARTIGO: Quem se prepara para o futuro digital não depende da sorte Ensino híbrido pós-pandemia demanda competências digitais do professor Edtech Report: adoção de ferramentas no ensino remoto Quando questionados sobre seu papel, 94,83% dos educadores consideram que é interagir virtualmente com os estudantes a fim de manter o processo de ensino e aprendizagem. Já sobre sua saúde mental, 52,52% dizem se sentir um pouco abatidos, tristes e desanimados nesse período, enquanto 34,80% afirmam se sentirem normais. No que se refere às atividades realizadas em suas rotinas, 77,81% dos professores se ocupam com filmes, livros e TV; 48,71% praticam exercícios físicos e 9,25% fazem yoga e meditação. A pesquisa mostra também que as instituições de ensino em que lecionam, em sua maioria (94,89%) adotaram atividades remotas emergenciais. E que 61,98% das escolas que adotaram Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) utilizam Google Classroom, e somente 4,34% não utilizam AVA. Outras ferramentas que são utilizadas pelos professores na distribuição de conteúdo e interação com os alunos são: Whatsapp (87,77%) Google Meet (75,10%) E-mail (45,02%) Zoom (27,81%) Instagram (21,35%) Da amostragem de pais e responsáveis respondentes, 62,21% têm filhos no ensino médio. Desses, 77,47% são oriundos de escola pública estadual. A maioria deles (87,84%) sempre participava da vida escolar do estudante pelo qual é responsável. Quando comparadas as aulas remotas e presenciais, 51,53% consideraram que piorou, e 41,08% acharam que manteve a mesma qualidade. Este levantamento realizado pela Abed compreendeu 90,03% dirigentes de escola pública estadual e 3,32% de escola privada. Dessa amostragem, 43,53% afirmam se sentirem normais sobre a sua própria saúde mental nesse período, enquanto 45,92% se consideraram um pouco abatidos, tristes e desanimados. Dos dirigentes entrevistados, 92,15% disseram que as escolas nas quais atuam realizaram atividades remotas regulares. Das instituições que adotaram alguma estratégia para atender os estudantes sem acesso à internet, 62,12% dos dirigentes afirmam que foram disponibilizados materiais impressos a serem retirados pelos estudantes ou responsável. #educação #tecnologia #inovação #educador21 #abed #ensinoremoto #pandemia