O papel das escolas para manter alunos e professores seguros em aulas virtuais

Neste artigo, o especialista em segurança da informação da ESET no Brasil, Daniel Cunha Barbosa, explica como as instituições de ensino podem ajudar na conscientização sobre proteção de dados Daniel Cunha Barbosa* Ainda que não tenhamos como determinar com exatidão quantos alunos migraram para o âmbito digital para darem continuidade aos estudos, sabemos que a atual situação afetou tanto escolas quanto alunos das redes pública e privada do país. Professores precisaram se adaptar a novas ferramentas e descobrir novos formatos para captar a atenção de estudantes que, do outro lado da tela, dividem o tempo entre as aulas virtuais e as tantas outras distrações que encontram pela rede. Muito mais que crianças, adolescentes costumam usar a internet para estudar, assistir a vídeos e trocar mensagens com diferentes pessoas. E é aí que o perigo se esconde, tendo em vista que, desde o início da quarentena, os ataques realizados por cibercriminosos, em especial aqueles que utilizam de mensagens ou e-mails para fazer vítimas, aumentaram significativamente. Por isso, a conscientização de pais, professores e alunos frente a essas ameaças é fundamental no combate ao cibercrime. "E como é que as escolas podem fazer isso?", você deve estar se perguntando enquanto lê este artigo. E eu te respondo: por meio da educação. Já passou da hora de termos alguma disciplina voltada para educação digital nas escolas, considerando o aumento sem precedentes de usuários, ano após ano. Com aulas básicas sobre proteção de dados, em especial no momento atual, tanto alunos quanto professores podem se sentir mais seguros a acessar a rede para assistir a aulas de forma virtual. Mais que isso, é necessário capacitar os educadores sobre técnicas de cibersegurança práticas e eficientes, que podem ser aplicadas ao dia a dia das escolas. Dessa forma, eles podem enxergar os riscos antes mesmo que eles atinjam as crianças e os adolescentes que usam as ferramentas tecnológicas no âmbito escolar, seja para estudos, pesquisas ou mesmo para participação em aula, por exemplo. Mas não basta que as instituições de ensino abordem o tema apenas em sala de aula. É preciso que esse assunto, cada vez mais presente na rotina de todos, chegue às casas dos estudantes, por meio de um esclarecimento aos responsáveis sobre os riscos aos quais os filhos estão expostos na internet e incentivando-os a terem um controle sobre o que crianças e adolescentes fazem quando estão navegando pela rede. Vale destacar que golpes que usam de promoções falsas e phishing continuam sendo os mais usados pelos cibercriminosos para atingir vítimas ao redor do mundo. No entanto, quando se trata de crianças e adolescentes, há criminosos por trás de uma tela de computador dispostos a tudo para conseguir informações pessoais e sigilosas sobre as vítimas em potencial, levando até a crimes mais sérios, como pornografia infantil, por exemplo. Por isso, o alerta sobre esses riscos se faz primordial na luta contra o crimes virtuais. Além disso, ensinar a pais, professores e alunos como fazer a configuração de privacidade dos aplicativos e ferramentas usadas para as atividades curriculares online também é uma maneira de proteger dados pessoais e impedir que criminosos acessem dispositivos para conseguir informações sobre as vítimas. Finalmente, uma das formas mais eficientes para manter dispositivos protegidos é ter, em todos eles, soluções de segurança instaladas. É importante que as escolas entendam que essas soluções são capazes de evitar golpes e invasões aos sistemas educacionais. Também, aconselhar que os alunos invistam nessas soluções, como antivírus e duplo fator de autenticação, nos equipamentos dentro de casa. Assim, é possível atuar de forma preventiva, educando desde a base sobre segurança digital e a importância das boas práticas de uso da internet. *Especialista em segurança da informação da ESET no Brasil