Metodologias ativas: mudança de paradigma da educação pós-pandemia

Para o CEO da DreamShaper, João Borges, a oferta de uma educação, mais inclusiva e digital passa pela combinação de metodologias ativas João Borges* O mundo viveu ao longo desta última década uma aceleração das ferramentas digitais para o ensino a distância. A chegada da pandemia, no entanto, deu uma nova velocidade a esse processo. Um estudo anual elaborado pela Pearson, chamado de Global Learner Survey, revelou que quase 80% das pessoas acreditam que os ensinos fundamental, médio e superior mudarão por causa da crise sanitária global. Além disso, quase 90% dizem que a aprendizagem online fará parte desses três níveis educacionais. É um cenário desafiador, que precisa ser compreendido de maneira aprofundada, a fim de gerar novos conhecimentos e mapear possibilidades de ações para o presente e para o futuro. Mesmo diante de uma crise humanitária e de saúde, que todos temos a lamentar, novas oportunidades de aprimoramento do ensino em suas mais variadas frentes começam a surgir em um cenário durante e pós-pandemia. As metodologias ativas, por exemplo, podem e devem ganhar cada vez mais espaço. Metodologias ativas são estratégias de ensino centradas na participação efetiva dos estudantes na construção do processo de aprendizagem. Tudo de forma flexível e interligada. O aluno passa, então, a ser o protagonista e transformador do processo de ensino, enquanto o educador assume o papel de um orientador, abrindo espaço para a interação e participação dos estudantes na construção do conhecimento. A junção de metodologias ativas com modelos híbridos traz contribuições importantes para o desenho de soluções atuais para estudantes e professoras. A aprendizagem ativa aumenta a flexibilidade cognitiva, que é a capacidade de alternar e realizar diferentes tarefas, e auxilia na adaptação a situações e problemas inesperados, superando, inclusive, modelos mentais rígidos e automatismos pouco eficientes. Tudo isso significa que essas metodologias promovem um desenvolvimento da dimensão cognitiva e socioemocional dos estudantes. Para a eficiência do ensino híbrido, elo entre os dois modelos de aprendizagem (presencial e online), com a devida assertividade, é preciso que haja uma integração entre ambos, de modo com que sejam complemento um do outro. A necessidade de personalização do ensino, associada a ferramentas digitais, é, portanto, uma resposta ao modelo convencional, muitas vezes ineficaz ou insuficiente para proporcionar uma experiência completa para docentes e alunos. A combinação de experiências e tecnologias digitais tem como missão promover uma reorganização do tempo e do espaço da aula, promovendo mais autonomia e engajamento, pontos fundamentais para a evolução intelectual e melhor aproveitamento de conteúdo. Além do ensino híbrido, a sala de aula invertida, modelo no qual o professor passa o conteúdo e em seguida, em casa, o aluno tenta resolver os exercícios e identificar suas dúvidas, e a gamificação, que consiste em trazer experiência dos jogos para o ensino, são outros exemplos de metodologias ativas. São práticas que precisam ser olhadas com carinho pelos educadores ao redor do país. É fundamental, nesse momento, que cada instituição analise sua realidade e busque implementar as metodologias que mais se encaixam aos seus respectivos objetivos. Para que isso seja possível, o educador e os seus gestores devem procurar uma constante atualização a respeito das tendências e novidades da educação. Claro que o ensino público esbarra, infelizmente, na falta de recursos para promover novas práticas e inovações, por exemplo, o que deve ser solucionado apenas por meio de políticas públicas, muitas vezes regionais, e em boa parte dos casos com apoio de instituições ligadas a empresas privadas e com foco na educação. Felizmente, o Brasil já tem bons exemplos nesse sentido. São profundas as mudanças de valores e costumes da sociedade em decorrência dos impactos do novo coronavírus. A pandemia foi capaz de colocar milhões de pessoas em isolamento, redefinir hábitos e influenciar comportamentos até então bem enraizados, inclusive dentro das instituições de ensino. O momento oferece a todos, em especial aos educadores, uma oportunidade para compreender os inevitáveis desafios, extrair as lições tiradas desse ano atípico e, consequentemente, começar a escrever a nova história da educação, mais inclusiva e digital. *CEO da DreamShaper, ferramenta online de aprendizagem baseada em projeto que guia os alunos por experiências de ensino práticas e motivadoras