Criatividade na complementação dos estudos remotos

O professor e pedagogo Doug Alvoroçado faz uma análise desse panorama em seu artigo exclusivo para o Educador21 Doug Alvoroçado* Se pudéssemos voltar a nossa mente ao final do ano passado iríamos constatar que nem os mais pessimistas imaginariam um ano como este. A pandemia de Covid-19 nos trouxe um ano inédito, com pessoas em casa, escolas e instituições fechadas e consequências enormes em todo o mundo. A Educação brasileira, que já sofria de lacunas e faltas, retirou forças de onde não tinha e se reinventou (está se reinventando, no caso, pois este processo não deve terminar agora e teremos que lidar com eles nos próximos anos), graças à guerreiras e guerreiros, educadoras e educadores de toda a parte que tiveram que “trocar os pneus do carro com ele em movimento”. Sem muito tempo ou formação o ensino migrou para o ambiente virtual e para um futuro. Cabe ressaltar que essa migração já era ensaiada pelas vozes mais vanguardistas, mas era um ensaio tímido e muito economicamente localizado. Os mais abastados já tiveram vislumbres e passeios por este futuro hi-tech na educação ciberespacial, enquanto a educação pública encontra-se localizada passos atrás nesta caminhada. Porém as duas realidades, pública e particular, podem sofrer de um mesmo mal. O preconceito com o ensino remoto. O EAD sofreu durante anos o sofisma de ser uma educação mais fraca. Hoje, depois de anos de trabalho e muitos alunos formados este estigma vem se desmontando e mostrando o quanto esta modalidade cabe bem em muitas realidades, principalmente nestes tempos atuais onde a jornada de trabalho toma formas diferentes e as horas dedicadas à formação precisam ser flexíveis. O Ensino Remoto no modelo que vivemos hoje está longe do ideal e sim, ele não tem o mesmo rigor do presencial. Posso dizer que 95% (números meus) dos professores que estão trabalhando remotamente estão “facilitando” o ensino. A mudança para o aprendizado remoto introduziu novos desafios para alunos e educadores em todos os níveis. Ter que dar conta de toda uma aprendizagem em inclusão digital e formação em aulas na modalidade virtual para garantir a participação e o acesso aos conteúdos aos alunos, sem perder o importante vínculo entre professores e alunos. Também ter que lecionar os conteúdos, sem deixar de lado os ritmos de aprendizagem de cada um. Além de lidar com todas as mazelas e consequências internas e externas da pandemia, que nos levou tempo, economias, mobilidade, pessoas e entes queridos. A baixa participação dos discentes, por diversos motivos e a fadiga das teleconferências intermináveis somam a decisão de muitos em “pegar leve” nas aulas. A situação atual do sistema educacional forçou pais e professores a serem criativos na forma de educar. Com a aprendizagem remota está prevista para continuar por um longo tempo ainda, não é exagero imaginar que as regras tradicionais sobre como a educação deve funcionar continuem sendo quebradas com as novas tecnologias e estratégias de ensino. Os professores ávidos para encontrar novas soluções para o imenso desafio que o aprendizado à distância trouxe para suas vidas diárias, se voltaram para soluções criativas, como micro-aprendizagens e proporcionar conteúdos de forma lúdica, com vídeos e jogos. A maioria poderia até dizer que jogar videogame é o oposto de estudar, mas é só observar quantas pessoas aprenderam inglês com jogos e conversas online que as opiniões começam a mudar. o ambiente dos jogos pode ser mais uma estratégia para completar esta aprendizagem. Professores podem investir em transformar conteúdos em jogos e assim melhorar a interação dos discentes com os mesmos. Eu já tenho visto na minha experiência como o uso de uma educação virtual de qualidade e criatividade pode ser uma grande vitória. Mas ainda podemos perguntar: quais estratégias de aprendizagem são melhores para as crianças complementarem seu aprendizado, na aula virtual e na casa? Como a maioria dos pais não se tornará professor de fato da noite para o dia, e é difícil equilibrar a educação remota e a vida cotidiana, cabe a escola instruir as famílias neste novo tempo. A educação mudou! E mudou pra dentro das casas também. Creio que o esforço de tornar a aprendizagem mais substancial agora será de todos. Pais podem criar ambientes favoráveis ao ensino, buscar complementação para as atividades dos alunos e até ser uma espécie de tutor nestas horas, auxiliando em dúvidas e acompanhando de perto este processo. A criatividade para fugir das metodologias mais tradicionais podem ser a chave para elevar a o ensino para além do lugar em que se encontra atualmente e com imensos benefícios para o futuro da educação. O futuro da educação incluirá, até certo ponto, um amálgama perfeito de tecnologias e técnicas inovadoras e tradicionais, e isso exigirá prática, apoio mútuo entre escola-família e dedicação na implementação de novas ideias. Chegou a hora da escola deixar os tradicionalismos e se investir de coragem e criatividade para implementar o que não antes foi feito, caso contrário ainda seremos a escola antiga, apenas digitalizada no futuro. *Pai, professor Google Innovator, pedagogo