4 dicas para manter a paciência com as crianças no isolamento

Em artigo, Sandra Garcia, diretora pedagógica da Mind Lab, edtech líder em soluções educacionais inovadoras, ensina, de um jeito rápido, fácil e direto, a manter a harmonia em casa neste período de pandemia Sandra Garcia* O novo coronavírus modificou completamente a rotina de muitas famílias ao redor do mundo. Passamos a lidar diariamente com inúmeros desafios dentro das nossas próprias casas. Se para nós, adultos, essas transformações vieram carregadas de uma explosão de sentimentos e uma pitada de insegurança, para as crianças tudo tende a ser ainda mais complicado e intenso. De um dia para o outro elas deixaram de ver os amigos, de frequentar a escola e tiveram suas opções de lazer reduzidas. Com isso, coube aos pais se reinventarem e encontrarem maneiras de entreter, acolher e ajudar os filhos a atravessarem esse período inédito. É um momento de descobertas para ambas as partes. Entre tensões, brincadeiras, cansaços, sorrisos e birras, essa proximidade no dia a dia também é uma oportunidade única de entender melhor quem somos e quem são nossos filhos. A jornada de educar nunca foi fácil, mas essa, em específico, requer um pouco mais de paciência e resiliência. É hora de mostrar para as crianças a importância de controlar as emoções e manter a calma em situações difíceis. Mas, para ensinar o outro a ser paciente, precisamos antes aprender. 1. Use a rotina diária para ensinar, aprender e exercitar virtudes Com mais tempo dentro de casa, aumentam as oportunidades de troca e os filhos passam a observar mais as atitudes dos pais. Aproveitar essas situações para colocar em prática valores e dividir as tarefas faz com que as crianças associem mais fácil e enxerguem sua aplicação no dia a dia. Pedir ajuda para organizar o espaço depois de comer, estimular a fala de coisas agradáveis durante as refeições, ensinar as palavras mágicas “por favor e obrigada”, são apenas alguns exemplos. Ao perceber que os filhos incorporaram algum desses comportamentos, valorize e elogie. Da mesma forma que nos lembramos de dar bronca quando eles erram, devemos reforçar as atitudes positivas. 2. Dialogue O diálogo é uma ferramenta essencial para qualquer relação, principalmente quando falamos entre pais e filhos. Converse, explique, insista na comunicação, mas mais importante do que isso: escute com atenção! Bons ouvintes entendem os sentimentos que vem junto com o que está sendo falado e se mostram interessados em saber mais. Uma boa dica é prestar atenção ao seu filho enquanto ele brinca: nesses momentos as crianças costumam dizer muito do que desejam ou precisam e estar presente é essencial para construir um relacionamento forte e de confiança. 3. Deixe que os filhos tenham momentos ociosos As crianças recebem muitos estímulos, ordens e informações a toda hora. Por isso, ter tempo livre e ficar em silêncio acaba sendo um desafio cada vez maior. O que muitas pessoas não sabem é o poder criativo e de autoconhecimento que existe ao não fazer nada. Tenha um local seguro onde a criança possa manusear vários objetos livremente e deixe a criatividade fluir. É durante o ócio que os filhos descobrem, inventam e compreendem as coisas do seu jeito. Além disso, os pais também precisam de um tempo para eles. Lembre-se: para as crianças aprenderem a vivenciar o ócio isso requer tempo e persistência. Comece com práticas de 5 minutos. 4. Respire fundo Somos humanos e temos o direito de nos sentirmos cansados, estressados e chateados com algumas situações e com os filhos. Mas nada disso justifica descontar nossas tensões neles ou em outros familiares. A regra é: se suas palavras vão apenas ferir e não serão construtivas, não fale nada. Respirar fundo é olhar para dentro e refletir como agimos diante de cada situação e o que realmente nos incomoda. A regra de contar até 10 ou esperar 5 minutos antes de tomar uma atitude é ótima para evitar arrependimentos. Todos passamos por dias difíceis e erramos, mas ao invés de gritarmos para ferir o outro, podemos procurar outras saídas. Errou? Não sinta vergonha de pedir desculpas e conversar com o seu filho. *Diretora pedagógica da Mind Lab, edtech líder em soluções educacionais inovadoras