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'Sobrevivência' do ensino superior requer resiliência e criatividade

Em quase cinco horas de debates, educadores de diversas partes do país apontaram caminhos para a reformulação do ensino superior do país em mais um Encontro Online da Bett Educar


Em um tarde repleta de conteúdo e considerações fundamentais, temas delicados e importantes para o momento pelo qual passa o ensino superior brasileiro foram trazidos à tona e postos em discussão. Durante quase cinco horas de palestras e trocas, foram expostas tendências e desafios do presente e para o futuro do setor no Bett Educar - Encontro Online Ensino Superior.


Os painéis abordaram temas como gestão e inovação tecnológica para o ensino superior, além de tentar prever o futuro do segmento a partir das questões atuais. Uma consideração geral foi que o segmento precisa se reinventar para sobreviver. E que isso só será possível a partir de resiliência, criatividade e tornando o aprendizado cada vez mais possível de ser mediado por tecnologia e voltado para o bem da sociedade.

José Moran, professor e designer de Projetos Transformadores em Educação, acredita ser temerário prever qualquer futuro para o ensino superior neste momento. Mas apontou algumas fortes tendências para o setor, muitas, inclusive, já iniciadas em universidades consideradas como referências mundiais, como Harvard, Columbia e MIT.


"O ensino superior caminha para a oferta de cursos multimodais. Não apenas híbridos, mas flexíveis, abertos e integrados. Também há uma tendência na personalização intensa dos currículos, que devem passar a ser mais formados por itinerários que possibilitem uma intensa aprendizagem em grupos, voltados a projetos reais, capazes de resolver problemas da sociedade que dependam desse engajamento", anunciou Moran, que frisou o surgimento do que ele chamou de "universidades digitais de verdade" -- instituições com plataformas inteligentes, integradas, e com laboratórios virtuais avançados.

A tecnologia como mediadora do aprendizado no ensino superior, inclusive, já é uma realidade no país. Isso ficou visível no último painel do dia, que contou com a participação de Patricia Fumagalli, VP de Transformação Digital da Ânima Educação, e Domingos Machado, presidente do Tiradentes Innovation Center e diretor de Estratégia e Inovação do Grupo Tiradentes. Com a proposta de discutir a transformação digital no setor, os palestrantes foram mediados pelo professor da UFPE/Cesar School e cofundador Joy Street, Luciano Meira.


Patrícia Fumagalli compartilhou a experiência da Ânima Educação, que parte do princípio que o aluno é o centro de todo o sistema desenvolvido na instituição. E que logo em seguida vem o docente e a gestão. "Para ter experimentação, é preciso ter liberdade. Por isso, todo o nosso resultado é medido com base na experiência do aluno, cuja melhor métrica é o engajamento digital." Já Domingos Machado trouxe uma visão ainda mais pontual a respeito da adoção certeira de tecnologia.


"Erramos, no início, ao trazer tecnologia complexa para dentro de sala de aula. O que precisamos, sabemos agora, é de menos hardware e mais software menos modismos e mais simplicidade. A tecnologia deve ser simples, e os resultados que ela possibilita, devem ser compartilhados", disse o executivo antes de mencionar que a sua universidade criou um hub para atrair desenvolvedores e edtechs. o objetivo é reunir e compartilhar boas práticas no setor, tanto para o ensino superior quanto para os demais segmentos de ensino.


A iniciativa foi comemorada pelo mediador, Luciano Meira, um notável entusiasta da atuação das universidades em prol do futuro da sociedade. "Ninguém inova sozinho. A desigualdade no país, amplificada pela pandemia, é uma catástrofe épica, e precisamos, nós, educadores, atuar para que seja mitigada. Afinal, educadores são pessoas que acordam todos os dias para realizar projetos de futuro; do seu próprio e dos outros."


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