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Planejamento pedagógico de 2021 vai exigir um 'olhar transversal'

Secretários e representantes do terceiro setor discutiram possibilidades de estratégias para o próximo período letivo


A Bett Educar, maior evento de tecnologia e inovação em educação da América Latina, e a Cloe -- plataforma digital de aprendizagem ativa -- realizaram uma tarde de discussões em torno da gestão pública educacional na última quinta-feira, 17 de dezembro. O evento remoto, transmitido pelo YouTube, reuniu gestores e especialistas do setor em dois painéis para falar de assuntos relacionados ao tema central: planejamento para 2021.


O primeiro painel possibilitou fazer um retrato do setor de Norte a Sul do país, com recortes de problemas e soluções de duas redes de educação de regiões e portes bem diferentes. As secretárias de Educação dos municípios de Manaus (AM), Kátia Schweickardt, e Londrina (PR), Maria Tereza Paschoal de Moraes, fizeram um relato muito rico e emocionante do trabalho que têm realizado durante este período de pandemia.

"Esse debate de abre ou fecha escolas só empobrece a Educação. Porque Educação é muito mais que as escolas. Eu não quero saber de um novo normal; eu quero uma nova Educação, que vá além dos muros da instituição, que coloque a aprendizagem no centro de tudo, e que aproveite este momento pandêmico para tratar de questões de apoio às famílias dos estudantes", disse Kátia Schweickardt, revelando que Manaus conseguiu engajar 190 mil alunos durante este ano difícil para o setor.


A mesma receita de acolhimento foi seguida pela rede pública municipal de Londrina. A professora Maria Tereza revelou que, apesar da pandemia, a organização da gestão local conseguiu ampliar os programas de engajamento familiar implementados há dois anos.


"Nosso programa de professor mediador atuou tanto no apoio aos professores para o uso de tecnologias quanto junto aos alunos da rede e seus familiares, realizando mais de 20 mil visitas nesses nove meses de pandemia para engajar e auxiliar famílias", disse a secretária.

Nessa mesma linha de cuidados socioemocionais, o secretário de Educação e Cultura de Cruz (CE), Raimundo Mota, ressaltou a atenção com os professores, que ficaram muito sobrecarregados -- principalmente no início da pandemia. Mota participou do segundo painel do encontro, e trouxe para a "mesa" o programa de mentoria personalizada para professores, desenvolvido em seu município.


"É um momento que usamos para aprender com nossos pares, mas não é tanto para discussões de questões pedagógicas. É abrir espaço para partilhar dores e emoções. O professor também precisa muito disso", opinou o secretário.


Também convidado para o debate, o presidente da Undime Nacional, Luiz Miguel Garcia, chamou a atenção para os cuidados dos gestores educacionais de diversos municípios que estão realizando transição da administração pública. Na sua opinião, lidar com avaliação será o maior desafio e o grande gargalo de 2021.

"É um crime fazer um processo de reprovação dos alunos neste momento. Os alunos tiveram que lidar com questões socioemocionais de maneira intensa em 2020, e é isso que deve ser muito bem cuidado em 2021".

E fez um apelo aos secretários -- especialmente àqueles que estão saindo e os que estão chegando para assumir a pasta de Educação em suas cidades.


"Aos grupos que estão saindo das secretarias municipais, por favor, deixem um registro detalhado e sincero de tudo o que conseguiram e do que não conseguiram fazer durante este ano difícil. E aos novos secretários e suas equipes de gestão, comecem desde já a construir um pré-planejamento estratégico de suas ações. E contem com a Undime para apoio e troca de experiências", disse Luiz Miguel.


Nesse contexto, a contribuição da consultora em Educação do Programa Formar, da Fundação Lemann, Maria Helena Fonseca Marin, foi sobre a necessidade de se lançar um olhar transversal sobre os currículos e processos pedagógicos nesse planejamento para 2021.


"É preciso fazer caminhos mais ágeis e certos que tragam resultado. Uma ferramenta fundamental, nesse caso, é o mapa de foco voltado para a BNCC desenvolvido e disponibilizado pelo Instituto Península, muito importante para não deixar aprendizados de fora. Porque não é sobre como eu preparo a minha aula; é sobre como o aluno aprende", disse a educadora.


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