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Instituições de ensino se transformarão em edtechs

Thiago Chaer, CEO da Future Education, aceleradora de edtechs no Brasil, acredita que sobreviverão as instituições de ensino que transformarem seus modelos de gestão e de ensino

Um levantamento feito em fevereiro de 2020, mostra que há, no Brasil, aproximadamente 460 startups de educação, as chamadas edtechs. Dessas, aproximadamente 9% estão em estágio avançado dos seus modelos de negócio e atendem centenas de milhares de alunos e professores por mês. Suas bases de dados somam milhões de usuários e centenas de indicadores de interação, engajamento e performance. O referido estudo é da Future Education, primeira aceleradora do Brasil dedicada exclusivamente a educação digital. Thiago Chaer, CEO da empresa, foi um dos palestrantes da Bett Educar - Encontro Online, realizado nos últimos dias 12 a 14 de maio, pela internet. Junto com José Motta, head de edtech da Beenoculus e Beetools, pintou um panorama da atuação dessas startups especializadas no mercado da educação e falou sobre o que esperar "Estimamos que 6% das 40.641 escolas privadas no Brasil estejam em um patamar de maturidade adequado para absorver as inovações dessas startups. Quando vamos para o setor público, esse número é difícil de mensurar, pois a maioria das edtechs ainda atua no mercado privado ou no B2C", frisou Chaer. Mas, apesar desses dados com números ainda tímidos, Chaer acredita que a inovação não pode mais ser dissociada da educação. E foi além. "A cultura da inovação, seja na dimensão da gestão, acadêmica ou da tecnologia, precisa ser uma realidade nas escolas. E isso precisa acontecer agora."

A pandemia do novo coronavírus trouxe luz à necessidade de se impor velocidade à transformação do sistema educacional. Para Thiago Chaer, um fator determinante nesse contexto são a visão e as habilidades dos líderes que estão à frente das instituições. Inclusive na esfera da educação pública. Segundo o CEO da Future Education, as mesmas premissas de inovação, substituindo o termo modelo de negócio por novos modelos de gestão, administração pública e relação entre poderes, devem nortear essa mudança. "As empresas de educação que prosperarão no século 21 serão as que adotarem métodos de liderança baseados na geração de valor para toda a cadeia: estudantes, pais e responsáveis, professores e sociedade", afirmou Thiago Chaer.

Um ponto destacado pelo especialista foi a competência de estratégia e leitura de mercado baseada em dados e evidências como um fator-chave para a perenidade de um negócio educacional. Conteúdo, dentro da nova realidade de competitividade do mercado, deixou de ser diferencial, na sua opinião. "O perfil do aluno muda a cada geração, as competências e habilidades profissionais exigem velocidade de adaptação dos coordenadores e professores e o modelo de negócio das escolas e instituições de ensino superior requerem mudanças no modelo mental dos líderes e gestores educacionais", disse. O CEO também acredita que desenho do currículo, dinâmicas, ferramentas e medição e garantia de aprendizagem são a base do modelo ideal de negócio de uma escola ou instituição de ensino superior para o momento. Por isso, afirma ser imperativo agir o quanto antes para transformar o modelo de negócio das instituições de ensino e as premissas que definem o que é ensino e o que é aprendizagem. "Novos modelos de escolas, mais flexíveis, personalizadas e com operação enxuta e digital, precisam ganhar espaço em um contexto como do Brasil, em que os resultados de aprendizagem estão aquém de uma sociedade que deve urgentemente alavancar o seu capital intelectual e cultural."


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