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Forum de Edtechs do GEduc 2020 enaltece cultura digital

Inteligência artificial, nanotecnologia, big data, robótica, cybersecurity. A educação precisa se entender com a cultura digital para formar cidadãos mais assertivos, colaborativos e com senso crítico aguçado


Uma das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a cultura digital nunca esteve tão em voga quanto neste período de pandemia. Deu o tom, inclusive, ao Fórum de Edtechs, que aconteceu durante os cinco dias da 18ª edição do Congresso Brasileiro de Gestão Educacional (GEduc), realizado online em virtude do afastamento social.


Nos três painéis realizados pelo evento, cujo tema foi "Disrupção na educação",

os palestrantes destacaram a necessidade de mudança de mindset na educação. E não apenas dentro de sala de aula, mas também -- ou principalmente -- na gestão.

"O momento é de uma gestão educacional diferente. O mais importante é a comunicação, uma gestão mais participativa, de conhecer as necessidades de cada ator. A tecnologia é importante, mas é preciso ter cuidado com coisas muito disruptivas. É preciso manter simples para fazer mais", alertou Caê Lavor, gerente de Conteúdo Digital e Avaliações do SAS Plataforma de Educação.


Dividindo o painel com o diretor científico da Digital Pages e membro da Academia Brasileira de Educação(ABE) , Ronaldo Mota, Lavor ainda defendeu que a pandemia apenas acelerou algumas transformações na educação, mas frisou que o caminho a percorrer ainda é longo até uma mudança efetiva. Um dos pontos levantados foi sobre a questão da avaliação.


"Prova surpresa é brega", disse Lavor. "Avaliação não pode mais ser punitiva, porque é preciso entender que errar faz parte do aprendizado. A avaliação precisa ser encarada não como um fim, mas como o início de um novo ciclo pautado por dados fornecidos por tecnologia."

Para João Lacerda, investidor, empreendedor e um dos idealizadores da Mind Makers -- editora educacional que desenvolve disciplinas inovadoras pra Educação Básica adquirida pela Somos Educação no início de 2020 --, a pandemia possibilitou um salto de pelo menos dez anos em se tratando de transformação digital na Educação.


"A próxima revolução se dará por três áreas: nanotecnologia, biotecnologia e robótica. A educação de hoje precisa começar a preparar a geração que atuará nesses campos, que serão o futuro do trabalho", disse o especialista, ao frisar a necessidade de desenvolver o pensamento computacional dos estudantes.



Lacerda ainda lembrou uma previsão feira pela Singularity University, de que até 2030, 9% dos postos de trabalho em todo o mundo serão substituídos por automação. Para o mesmo ano, está previsto que a inteligência artificial passe no teste de Turing. Mas, antes disso, em 2024, os humanos precisarão dominar IA para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho.


Por isso, a executiva da IBM em programas globais para universidades para a América Latina, Alcely Strutz Barroso, chamou atenção para a necessidade de a tecnologia andar de mãos dadas com o desenvolvimento de habilidades não-cognitivas nos estudantes. "O que o mercado vai precisar no futuro é de profissionais criativos, autônomos, com velocidade de resposta e senso crítico aguçado."

Uma das empresas de tecnologia que estão desenvolvendo soluções para evitar surtos da COVID-19 a partir de sistemas de rastreamento de contatos é a Mist. A fabricante de equipamentos Wi-Fi de pequena porte, mas em rápido crescimento, integra a Juniper Networks, sediada no Vale do Silício.


Essa tecnologia será utilizada por universidades norte-americanas já neste ano. A partir de setembro, mesmo com aulas online, as instituições deverão receber cerca de 40% do total de alunos por vez. Princeton, Yale e Harvard -- para citar algumas das mais famosas -- estão adotando cuidados bem parecidos.


Mas algumas estão dando um passo à frente, adotando tecnologia de segurança de ponta. Conforme revelou Marcos Teixeira Dias, líder de Vendas Mist para Caribe e América Latina, um dos palestrantes do Forum de Edtechs do GEduc 2020.


O componente criado pela Mist ajudará a gravar os movimentos e interações dos estudantes e funcionários no campus. Isso poderá alertar, também, sobre pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus. Sempre, é claro, mantendo sigilo sobre a identidade dos envolvidos.


"O sistema usa roteadores Wi-Fi e pontos de acesso que se comunicam com chips bluetooth nos crachás e pulseiras de acesso. Os dados coletados ajudarão a determinar quais pontos do campus começa a criar aglomerações e também indicará se alguém teve contato com uma pessoas que dias depois testou positivo para a COVID-19", explicou Teixeira.


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