• Educador21

Ensino híbrido pós-pandemia demanda competências digitais do professor

O primeiro dia da Jornada Bett Online chamou atenção para a necessidade de se transformar o professor em um designer de experiências de aprendizagem


A Bett Educar, maior evento educacional de tecnologia e inovação da América Latina, iniciou a Jornada Bett Online trazendo os olhares de especialistas nas tendências para a educação durante e pós-pandemia. Foram abordados, nas três salas de transmissão simultâneas, três eixos principais para nortearam as discussões do primeiro dia de evento: gestão, formação de professores e tecnologia educacional.


O Educador21, parceiro de conteúdo da Bett Educar nessa jornada, acompanha tudo de perto para trazer aos seus leitores um resumo de cada dia de palestras e mesas-redondas. O evento remoto acontecerá até o dia 24 de setembro, com a presença de especialistas nacionais e internacionais do setor de educação, gestão e tecnologias educacionais.


Algumas das palestras do primeiro dia da Jornada Bett Online acabaram tocando num mesmo ponto nevrálgico da Educação -- de agora e do futuro bem próximo. Apesar de ter forçado um avanço pela transformação tecnológica, principalmente porque muitas escolas adotaram o ensino remoto para não suspender totalmente suas atividades, a pandemia não resolveu um problema que vem persistindo: o papel do professor como protagonista do processo de ensino-aprendizagem.


Nesta quarta-feira, 23 de setembro, o segundo dia da Jornada Bett Online trará, a partir das 15h, discussões em torno de outros três eixos de interesse da comunidade educacional: gestão voltada para políticas públicas, EAD e educação do futuro. A palestra inspiradora que encerra o dia de evento será com o professor Luiz Felipe Pondé.


As inscrições permanecem abertas. Basta clicar no banner abaixo e garantir a sua participação no evento.


Durante a pandemia e todas as transformações e impactos que causou (e vem causando) na Educação, as atenções dos envolvidos no setor acabaram recaindo sobre os professores. Há relatos de sobrecarga, de experiências boas e ruins, de desafios superados e outros nem tanto. Sobretudo, há a consciência de que os professores não serão mais os mesmos depois da pandemia.


Mas com o início do afastamento social e a adoção de currículos híbridos, era esperado que o aluno se tornasse protagonista. Mas o que aconteceu foi que a organização original se manteve, e o protagonismo permaneceu no professor, como já era antes. O paradigma foi mantido. E o que vem pela frente?


Consultora de Inovação e conselheira da Bett Educar, Betina Von Staa chamou atenção para alguns aspectos importantes que farão a aprendizagem híbrida funcionar. E frisou, na sala com o tema "Currículos híbridos", que as escolas que focarem nos alunos, com uma visão mais ampla, são as que se sairão melhor no pós-pandemia.


"O cenário que vem pela frente pode ser ainda mais difícil do que implementar o ensino remoto no início da pandemia. No pós-pandemia será necessário personalizar o ensino por aluno. Para isso, precisamos de tecnologias. E precisamos entender quais as características humanas que não podem ser substituídas por tecnologias e focar para que professores atuem nelas e quais podem ser substituídas por tecnologias, encontrar essas tecnologias e implementá-las", disse a educadora.

Uma das barreiras para a implementação do ensino híbrido pós-pandemia é uma falha na formação dos professores, que acabam não sendo preparados para lidar de maneira assertiva com as tecnologias educacionais. "O grande desafio foi, e ainda é, saber dosar momentos síncronos e assíncronos no ensino remoto. E esse é um exercício crucial para entrar no ensino híbrido como deverá acontecer daqui para diante", disse Lilian Bacich, diretora da Tríade Educacional.


A especialista dividiu o painel "O professor como designer de experiências de aprendizagem" com Luciana Allan, diretora-técnica do Instituto Crescer, que apresentou dados de uma pesquisa realizada durante os meses de pandemia com a participação de 518 professores respondentes. Segundo a educadora, 52% dos participantes conseguiram personalizar os processos, mas a maior parte permanece muito centrada no papel do professor.


"Estamos vivendo um momento muito especial da história da humanidade. É preciso ver a educação de outra forma. É o momento de ousar e implementar novas propostas de trabalho. Mas muitos dos relatos são de que, apesar de encorajados a errar e acertar, os professores ainda não enxergam esse esforço como válido", disse Luciana Allan.


De acordo com Lúcia Delagnello, diretora-presidente do Cieb (Centro de Inovação para a Educação Brasileira), os professores ainda precisam se apropriar de uma série de competências digitais para ampliar sua capacidade de ensinar e ter melhores resultados no exercício de sua profissão no século 21. E aproveitou o evento para lançar a publicação “Integração das TDIC (Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação) na formação inicial de professores“.


Desenvolvida em em parceria com a Cesar School, a publicação tem como objetivo apoiar as coordenadoras e os coordenadores pedagógicos de cursos de formação inicial. Trata-se de uma proposta de componentes curriculares para serem integrados de forma transversal ou em disciplinas específicas em cursos de ensino superior.


“Professoras e professores devem ter suas competências digitais bem desenvolvidas, estando preparados para serem pesquisadores reflexivos de sua prática pedagógica, criadores de experiências de aprendizagem, protagonistas de sua formação profissional ao longo da vida, além de terem capacidade de inovar na resolução de problemas complexos, de liderar a mudança necessária nos espaços educacionais e atuar como cidadãos digitais. A tecnologia pode ser importante aliada para o desenvolvimento dessas novas competências, mas, para isso, é importante integrar conhecimentos e práticas sobre e com o uso de tecnologia na formação inicial”, disse Lúcia Dellagnelo.


Coautoras do documento, as educadoras da Cesar School participaram do painel. Juliana Pereira Gonçalves de Andrade Araripe e Walquíria Castelo Branco Lins fizeram um resumo das quatro seções da publicação, que apresentam resultados de um levantamento realizado acerca da formação inicial de educadores na Austrália, no Chile, em Cingapura, na Estônia e Índia -- países que, em comum, têm investido fortemente na melhoria da qualidade da formação de suas professoras e professores.

O estudo é complementado com uma análise das características dos programas existentes nestes países e as compara com a realidade do contexto brasileiro. E, por fim, traz sugestões de diretrizes para os cursos de formação inicial e nove sugestões de componentes curriculares. Para conhecê-lo, acesse o site do Cieb neste link.


#educação #tecnologia #inovação #educador21 #betteducar #jornadabettonline #jornadabetteuvou