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Como ensinar as gerações futuras?

Diretor-geral do Colégio Marista Arquidiocesano em São Paulo fala sobre processos de ensino-aprendizagem e gestão em tempos de pandemia e Revolução 4.0


Prof. Carlos Walter Dorlass* Essa epidemia é diferente de todas as anteriores, pois no momento não há esperança de medicamento ou vacina a curto prazo em escala necessária para combatê-la. O seu risco vai muito além das dezenas de milhares de pessoas que já morreram e das muitas mais que morrerão. Seu maior problema é que ao causar o colapso de sistemas de saúde, o vírus aumenta a mortalidade de outras doenças. Espalha o pânico, aumenta significativamente a pressão social e política, paralisa a economia, a logística e desestrutura ecossistemas sociais e econômicos. Ao avesso do que acham muitos, as soluções para os desafios da saúde e da economia mundial e brasileira estão intrinsicamente ligadas. Diante do cenário apresentado, como as escolas e professores devem garantir o desenvolvimento das futuras gerações? Conforme a pesquisa da consultoria Mckinsey, os alunos do século 21 serão estimulados em soft skills, ou seja, em habilidades comportamentais e competências que envolvem elementos como a criatividade. Isso não significa que o conteúdo das disciplinas fique em segundo plano. É preciso continuar investindo no conhecimento, porém, gerando uma nova personalização da transmissão desse conteúdo, com mais humanização, respeito às diferenças e o próprio ritmo do aluno. No ensino contemporâneo, a criatividade deve ser trabalhada de forma conjunta com outros aspectos como saber trabalhar em equipe e resolver problemas. Hoje, os jovens devem utilizar a criatividade para solucionar dilemas que ainda são incomuns e não têm soluções prontas, assim, eles são provocados a pensar nelas.

Para as escolas, é preciso associar a criatividade à capacidade de execução, autonomia e protagonismo. Por esse aspecto, as disciplinas curriculares não perdem seu peso na formação do aluno.


Além disso, é necessário desenvolver a empatia que é a capacidade de vivenciar a dor e a alegria de outra, mesmo que a ligação entre elas não seja muito próxima. Basta apenas que se tenha o coração aberto para entender que cada ser humano é único e passa por situações distintas, que acabam por moldá-lo. Se pararmos e pensarmos, veremos que para se ter empatia, é preciso, minimamente, saber ouvir e simpatizar com as dificuldades do outro. Possuir uma bagagem cultural maior, associada às áreas de conhecimento, por meio de disciplinas como matemática, biologia, física, química, geografia, filosofia e outras, ajudará o aluno a pensar de forma diferente (mindset) e encontrar as soluções aceitáveis, executáveis e sustentáveis, combinando a criatividade com esses elementos. Neste novo mundo que nos acena pós-pandemia, acredita-se que as habilidades pessoais serão ainda mais valorizadas. Os estudantes terão cada vez mais que ter uma noção de mundo muito mais universal e muito menos local. A formação de cidadãos globais, que busca por meio do aprendizado uma maneira de responder às necessidades de sua sociedade, deve ser o foco dos educadores. Deste modo, saberemos, sem titubear, que estaremos oferecendo para o mundo sujeitos que sabem que a vida deve estar sempre em primeiro lugar. *Diretor-geral do Colégio Marista Arquidiocesano (SP)