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Ainda sobre o Dia do Professor: o mestre e o aprendiz

O executivo e professor no MBA da Fundação Dom Cabral, Uranio Bonoldi, faz uma reflexão sobre a profissão que é a base para todas as demais profissões


Uranio Bonoldi*


O dia mundial do professor segundo a Unesco é celebrado em 5 de outubro e foi instituído em 1994. A data foi definida a partir da aprovação da recomendação que estabelece referências sobre os direitos e responsabilidades dos professores e dos padrões para formação e educação inicial, assim como emprego e condições de ensino e aprendizagem, ou seja, não é só sobre os deveres dos professores mas, também recomenda como proporcionar um bom ambiente que facilite a aprendizagem do aluno e valorize o professor, uma preocupação presente no mundo inteiro.

Aqui no Brasil, o Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. A data foi instituída pelo imperador D. Pedro I que aprovou o decreto que criou o Ensino Elementar, com a instituição das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país. Mas só em 1963, a data foi oficializada por um decreto federal que determina que os estabelecimentos de ensino devem promover solenidades para enaltecer a função.


Mas não é pela força de um decreto que isso acontece. Aliás, não é exatamente assim que acontece no Brasil. Não tem solenidades e nem exaltação. Muitas vezes a data nem é lembrada, o que como gestor de empresas e também professor me entristece, pois transmitir conhecimento não é tarefa fácil e, historicamente, essa é uma data que seria muito interessante ser lembrada e comemorada.


Os professores são a base para a formação de cidadãos com pensamento crítico, o despertar interesse pelo estudo e o discernimento sobre o que é certo e errado e para a liberdade do indivíduo para fazer suas escolhas conscientes e seguir seu caminho. Muito triste perceber que um jogador de futebol tem muito mais valor que um professor, sem qualquer demérito à profissão de jogador.

Quem não se lembra, com carinho, dos mestres que passaram pela vida escolar. Pela gentileza na hora de tirar uma dúvida ou com observações pontuais que ajudaram na escolha de qual carreira seguir? E do mesmo jeito que um professor marca um aluno, o aprendiz também marca o mestre. Sempre tem um pupilo que deixa a marca, pelo jeito prestativo, pelo interesse em aprender e pela própria evolução. Não tem nada mais gratificante para um orientador do que ver o crescimento de um aluno.


Principalmente agora, no meio de uma pandemia e diante de adaptações com a educação a distância, o desafio de poder continuar a dialogar com os alunos e ajudar na formação é tarefa hercúlea e precisa ser enaltecida sempre. Entender que todos estão passando por momentos desafiadores é o primeiro passo para a compreensão de que a fase é complicada, mas vai passar.


Ser professor, mestre, orientador é muito mais do que ensinar a ler, a escrever e fazer conta, está muito além do aprendizado didático. A conexão criada com o aluno durante todo o seu desenvolvimento dá para a relação um sentimento indelével. Uma amizade para a vida toda e forte transmissão de valores. E a satisfação que se ganha de propagar o gosto pelo aprendizado é impagável. Seremos um outro Brasil, quando voltarmos a valorizar de verdade a educação de qualidade e o professor!


*Executivo e professor no MBA da Fundação Dom Cabral