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Qual o futuro da educação a distância no Brasil?

CEO da Saphir Educ, holding mista que busca investidores e parceiros para contribuir com a educação de qualidade no Brasil, Caitano Neto analisa o cenário futuro para o setor

Caitano Neto*

O futuro da educação a distancia no Brasil está relacionado a alguns fatores socioeconômicos em que impactam ao acesso da população brasileira às plataformas digitais e tecnológicas.


De acordo com o último Censo 2018, cerca de 1.900.000 pessoas optaram pela educação a distância, enquanto 4.500.000 optaram pela presencial. Todos os balanços indicam que o Brasil terá um exponencial crescimento na educação a distancia enquanto a educação presencial tende a diminuir.


As respostas ao otimismo quanto a educação a distância está relacionada a como o Brasil conseguirá adequar sua infraestrutura tecnológica para dar suporte aos milhões de estudantes espalhados por um país de proporções continentais.


A Saphir Educ, empresa com mais de 26 anos de experiência no ramo educacional, apresenta, por meio desta análise, algumas questões importantes no cenário de investimento educacional de ensino superior no país e como a crise econômica causada pela pandemia da Covid-19 afetará o setor.


Como a crise educacional afetará as universidades


Para universidades privadas não haverá a entrada de recursos devido aos alunos não terem verbas para pagar o curso, e com isto poderá ter um aumento no número de desistências. Nas universidades públicas, devido aos gastos com a dívida pública não haverá retorno de financiamento. Redução na carga horário e salário dos professores e adotar uma metodologia de contratação de trabalho que seja flexível e acessível.


Analistas abordam que o país deverá ter um preparo para esta nova realidade. Desta forma, arcar com possíveis perdas que poderão ter. A revolução digital poderá alterar o curso de pesquisas de muitos docentes e pesquisadores que utilizam seu trabalho e tem como fonte um financiamento para serem feitos estes estudos pelo governo do país.


A falta de estrutura do setor educacional nos âmbito público e privado, prejudicou o acesso de jovens e adultos ao ensino durante a pandemia do novo coronavírus. Com isso, a perspectiva é a de que seja necessário uma adaptação tecno-comunicacional em escala nacional, pois no Brasil a taxa de desigualdade educacional é muito alta e produz um cenário em que cada região do país exige uma estratégia de desenvolvimento específica.


É preciso aprender e ensinar a distância porque os professores da rede pública, principalmente, têm uma dificuldade muito grande porque não foram treinados para isso, não foram preparados, não houve um planejamento para que eles fossem desenvolver suas tarefas, suas didáticas; e hoje eles estão sofrendo muito, vemos toda hora as pessoas falando.


Fatores que contribuem para uma recessão


A Economia poderá entrar em colapso, de acordo com alguns fatores que determinarão este processo:

  • Falta de recursos

  • PIB em recessão

  • Escassez da mão de obra

  • As características do ensino a distancia

A educação a distância, que normalmente não é recomendada para crianças e para adolescentes, é aquele processo em que o ensino acontece a partir de um conteúdo organizado para que aquele educando receba-o a distância e possa, eventualmente, interagir com o conteúdo numa situação que não é igual de sala de aula.


Sob outro ponto de vista, haverá o fácil acesso às plataformas digitais em todas as universidades no país. E de, certa forma, havia universidades que tinham este modelo de aula, porém não a utilizavam. Mas com esta pandemia, haverá o desenvolvimento do setor educacional digital, conectando o aluno com as mídias sociais. Terá que repensar nos modelos estruturais adotados pelas universidades e se irá gerar um impacto positivo para as próximas gerações.


A autoridade educacional da União Europeia vem utilizando o termo Aprendizagem Emergencial em Casa para configurar uma situação que não é exatamente EAD. Professores que não estavam preparados e não tinham o planejamento para aulas a distância têm atuado de maneira emergencial para assegurar que crianças e jovens que estão em casa mantenham os aprendizados já adquiridos e, eventualmente, avancem um pouco mais nos seus aprendizados.


No caso da rede pública, o que tem sido feito é uma mitigação dos danos que aconteceriam em termos do aumento da desigualdade educacional se nada fosse feito. O Brasil tem um sistema educacional profundamente desigual.


*CEO da Saphir Educ, holding mista que busca investidores e parceiros para contribuir com a educação de qualidade no Brasil